Histórico

A trajetória da Cooperativa Marias da Terra começou com a formação da AMA (Associação das Mulheres Agroecológicas), um grupo formado por cinco mulheres: Maria Ileide Teixeira (57 anos), Roseli Teixeira Rosa (51 anos), Irani Aparecida Souza Cardoso (34 anos), Eunice Fátima Ferreira (54 anos) e Franceli Aparecida Sousa Ferreira (35 anos).

No dia 12 de outubro de 1997, 250 famílias chegaram a um assentamento do Movimento Sem Terra na região agrícola de Vergel, em Mogi Mirim-SP. Ileide conta que todas essas famílias chegaram o local e, instaladas em barracos de lona, precisaram se conhecer e se organizar rapidamente em grupos para atender as necessidades dessa comunidade que estava se formando. A necessidade mais urgente era a alimentação, pois algumas famílias tinham comida, outras não, e tudo o que tinha de alimento era dividido entre todo mundo e priorizando as crianças, daí surgiu uma cozinha comunitária liderada por Dona Ileide, para alimentar todas as famílias. Um ano depois, foi concedido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) a terra a 101 daquelas famílias, e cada uma delas foi para seu lote.

O ideal

Trabalhar na terra era o que Ileide e as mulheres da AMA queriam. Até que isso se tornasse a fonte de alimentação e sustento, essas mulheres passaram por diversas fases, desde a venda de madeira caída da região, produção de marmitas para os funcionários das madeireiras dos arredores e a construção de uma pousada para hospedar os estudantes e madeireiros que passavam frequentemente por lá. Quando a pousada parou de gerar renda, elas se voltaram para a terra, mas se depararam com uma terra seca, ácida, praticamente improdutiva, conta Ileide. Nesse momento, as mulheres conheceram uma agrônoma que as assessorou a plantar com as técnicas da produção orgânica. Em 3 meses, a terra começou a responder.

Os desafios

A AMA então começou a produzir mandioca e beneficiá-la, em forma de biscoitos vendidos em uma feira da região, depois farinha de mandioca, e ainda diversificou e começou a plantar e beneficiar outros produtos, como a banana e a mandioca chips. Com uma série de produtos de qualidade, a AMA começou a participar de feiras e eventos em universidades, levando os quitutes e legumes orgânicos para serem conhecidos por muitas pessoas. Com uma demanda de clientes enorme, o desafio passou a ser como melhorar a cozinha e conseguir um meio de transporte para levar os produtos aos clientes, pois elas só possuíam um carro muito velho que não estava mais suportando as viagens.

Caldeirão do Huck

As mulheres resolveram então, incentivadas por parceiros, enviar um projeto ao Catarse (www.catarse.me), maior site de financiamento colaborativo do Brasil, com o objetivo de conseguir o dinheiro para comprar uma Kombi. Foi nesse momento que a equipe do Mandando Bem e do Caldeirão do Huck encontrou essas mulheres para apoiá-las.

Nunca desistir

Mesmo com uma história repleta de barreiras e desafios, que vão desde o preconceito até a falta de crédito e infraestrutura para o trabalho, as Marias da Terra nunca desistiram. Suas integrantes estão no grupo desde a fundação, superando estes obstáculos um a um com muita garra, união, aprendizado e força de vontade. Ao invés de ficar isoladas, esperando os clientes e parceiros surgirem, as Marias da Terra foram à luta e à procura de clientes e parceiros. Dessa maneira, conquistaram espaços em feiras, organizações que as contratam para fornecer alimentação em eventos, pessoas que mensalmente compram cestas de produtos rurais, além de uma série de parceiros que oferecem cursos e orientação nas mais diversas áreas.

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